A média de suicídios em Portugal já ultrapassa os dois por
dia e há uma tendência para continuar a aumentar, avisou em Amarante o médico forense José Eduardo Pinto da Costa.
Numa palestra que, a convite da Camara Municipal, proferiu
naquela cidade, o médico e professor universitário alertou para um dos perigos
que os idosos portugueses enfrentam na sociedade moderna.
“Há (entre os médicos) uma preocupação que a taxa continue a
aumentar, fomentada, em parte, pela atual crise financeira”, disse Pinto da
Costa.
Desde 2008 que vários setores da medicina em Portugal
alertam para o aumento das taxas de mortes devidas ao suicídio que, a partir de
2009, ultrapassaram as duas por dia.
Apesar duma dificuldade em manter dados atualizados
neste campo (os últimos números do Instituto Nacional de Estatística datam de
2010), vários membros da comunidade científica e médica portuguesas têm
alertado para uma subida, pequena mas gradual, do número de suicídios em
Portugal.
O tema suicídio fez parte de uma apresentação elaborada sobre a condição da terceira idade em Portugal que esgotou a lotação sentada do auditório da Biblioteca Albano Sardoeira.
É preciso falar mais sobre a eutanásia em Portugal
De forma exaustiva mas muito compreensiva, o médico forense e professor universitário abordou, ao seu estilo único, tópicos diversos como o sexo na terceira idade, a saúde
mental dos idosos e ainda ofereceu conselhos em como manter uma vida saudável.
José Pinto da Costa reservou para o final da sua intervenção
o tema mais controverso da eutanásia, uma atividade de suicídio assistido que é
considerado um crime em Portugal e em muitos países da Europa.
Apesar de defender que a discussão à volta desta prática tem
que ser feita, o médico natural de Cedofeita, no Porto, fez questão de sublinhar que é pessoalmente contra a eutanásia.
“Sei que é uma posição ambígua mas, moralmente, sou contra a
eutanásia. Contudo, há muitos fatores e variáveis neste tema. Mas como médico,
posso compreender porque é necessário abordar este tema e fazer alterações à
legislação”, explicou.

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