Em Portugal não existe um problema de falta liberdade de imprensa
em si mas há um conjunto de fatores económicos que afetam a capacidade dos órgãos
de comunicação social em realizar o seu trabalho, tanto a nível regional como
nacional.
Esta foi uma das conclusões sobre o tema da liberdade de imprensa a nível nacional e local, que esteve em discussão ontem na Universidade de
Trás-os-Montes e Vila Real, durante um debate realizado no âmbito das comemorações
do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa organizado pelo Departamento de
Letras, Arte e Cultura daquele estabelecimento de ensino superior.
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| Debate juntou jornalistas locais e nacionais na UTAD. imagem: Ana Fernandes |
“A liberdade de imprensa está também ligada à capacidade, ou
falta dela, dos órgãos de comunicação social, nomeadamente a nível regional, em
manterem jornalistas nas suas redações”, explicou o radialista Paulo Vilela.
Durante a sua intervenção, o jornalista da radio M80 adiantou que há muito trabalho
jornalístico que fica a meio e que acaba por não ser publicado porque há falta de
condições para verificar toda a informação que chega diariamente aos jornais, rádios e televisões locais.
Rui Sá, jornalista da RTP, alertou que o mesmo problema
afeta as representações de órgãos de comunicação social nacionais em regiões do
interior, onde o “tamanho mínimo das redações não dá, muitas vezes,
condições para refletir sobre o trabalho que fazemos”.
No debate, que se realizou na sessão da manhã, estiveram ainda presentes o repórter de imagem da SIC, Miguel Costa, José Paulo Santos (TVI), Luís Mendonça (Universidade FM), Manuela Carneiro (SIC), o consultor de comunicação João Oliveira e Madeira Pinto, em representação da Câmara Municipal de Vila Real.
A jornalista da SIC apontou, por seu lado, as práticas "pouco éticas" de alguns jornalistas que afetam o trabalho doutros, que acabam por
encontrar dificuldades, resistência e por vezes ameaças.
“Os jornalistas são muitas vezes vistos como o bicho-papão”,
explicou Manuela Carneiro, que sublinhou ser importante ter “uma dose de bom
senso” quando se realizam trabalhos jornalísticos sobre matérias mais sensíveis.
“O jornalista tem poder e o trabalho que faz pode, muitas
vezes, destruir uma vida. O nosso trabalho não é prejudicar a vida dos outros”,
concluiu.
Após uma pausa para almoço, o Dia da Liberdade de Imprensa
foi ainda assinalado com o visionamento da curta-metragem O Carteiro, da realizadora Cláudia Alves, uma entrevista online ao
jornalista Nuno Andrade Ferreira, da Radio Morabeza (Cabo Verde) e o lançamento
de dezenas de balões em homenagem simbólica aos 62 profissionais de jornalismo mortos em 2011.

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