sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dia Mundial da Imprensa na UTAD


Em Portugal não existe um problema de falta liberdade de imprensa em si mas há um conjunto de fatores económicos que afetam a capacidade dos órgãos de comunicação social em realizar o seu trabalho, tanto a nível regional como nacional.

Esta foi uma das conclusões sobre o tema da liberdade de imprensa a nível nacional e local, que esteve em discussão ontem na Universidade de Trás-os-Montes e Vila Real, durante um debate realizado no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa organizado pelo Departamento de Letras, Arte e Cultura daquele estabelecimento de ensino superior.

Debate juntou jornalistas locais e nacionais na UTAD.
imagem: Ana Fernandes


“A liberdade de imprensa está também ligada à capacidade, ou falta dela, dos órgãos de comunicação social, nomeadamente a nível regional, em manterem jornalistas nas suas redações”, explicou o radialista Paulo Vilela.

Durante a sua intervenção, o jornalista da radio M80 adiantou que há muito trabalho jornalístico que fica a meio e que acaba por não ser publicado porque há falta de condições para verificar toda a informação que chega diariamente aos jornais, rádios e televisões locais.

Rui Sá, jornalista da RTP, alertou que o mesmo problema afeta as representações de órgãos de comunicação social nacionais em regiões do interior, onde o “tamanho mínimo das redações não dá, muitas vezes, condições para refletir sobre o trabalho que fazemos”.

No debate, que se realizou na sessão da manhã, estiveram ainda presentes o repórter de imagem da SIC, Miguel Costa, José Paulo Santos (TVI), Luís Mendonça (Universidade FM), Manuela Carneiro (SIC), o consultor de comunicação João Oliveira e Madeira Pinto, em representação da Câmara Municipal de Vila Real.

A jornalista da SIC apontou, por seu lado, as práticas "pouco éticas" de alguns jornalistas que afetam o trabalho doutros, que acabam por encontrar dificuldades, resistência e por vezes ameaças.

“Os jornalistas são muitas vezes vistos como o bicho-papão”, explicou Manuela Carneiro, que sublinhou ser importante ter “uma dose de bom senso” quando se realizam trabalhos jornalísticos sobre matérias mais sensíveis.

“O jornalista tem poder e o trabalho que faz pode, muitas vezes, destruir uma vida. O nosso trabalho não é prejudicar a vida dos outros”, concluiu.

Após uma pausa para almoço, o Dia da Liberdade de Imprensa foi ainda assinalado com o visionamento da curta-metragem O Carteiro, da realizadora Cláudia Alves, uma entrevista online ao jornalista Nuno Andrade Ferreira, da Radio Morabeza (Cabo Verde) e o lançamento de dezenas de balões em homenagem simbólica aos 62 profissionais de jornalismo mortos em 2011.

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