segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Entre a gaffe e uma parede



“Como se chama o seu cãozinho?”, perguntei aqui há dias ao meu vizinho.
“Palhaço” respondeu ele, de cara séria. Palhaço? Fiquei surpreendido. Depois de quase uma década de centenas de “hoje vai chover” e milhares de “bons dias” pensei que estava prestes a descobrir o lado humoroso do homem. Errado.
“Palhaço? Então mas porquê?” pressionei. “Porque tudo o que ele faz é uma palhaçada”, respondeu o homem de cara séria.

Presidente da República hasteia bandeira nacional ao contrário - LUSA

Não é necessário praticar muita ginástica mental para extrapolar o episódio para o atual clima de crise e de falta de confiança no sistema político português, quiçá a nível mundial. As relações entre este Estado e a população portuguesa são das piores de que há memória nos últimos dois séculos ou mesmo mais.

Como se não fosse suficiente atolar o país num pântano de impostos, taxas e impostos sobre tarifas, o atual executivo e a sua oposição encenam verdadeiras peças teatrais tragicómicas cada vez que se anuncia novas medidas de austeridade.

O que era hoje cem por cento amanhã é cinquenta e para a próxima semana desaparece do mapa; se a coligação PSD/CDS estava em perigo de ruir ontem, hoje estão todos de acordo para amanhã surgirem novas dúvidas. Etc., etc., etc.

Uma coisa é certa: da história das crises financeiras que o país atravessou até hoje, esta é das mais graves. Não só pelo impacto, nefasto, imediato e sem fim à vista que tem na população em geral como no seu significado para as bases fundadoras deste projeto “Portugal”, lançado há cerca de 800 anos atrás.

Longe de ser um apelo ao nacionalismo é importante relembrar que Portugal, como nação, nasceu de uma recusa de vassalagem perante a Europa feudal da Idade Média. E mais: este projeto nasceu e consolidou-se muito antes dos hoje grandes poderes mundiais que, em plena “idade das trevas”, eram pouco mais do que um amontoado de pequenos condados, mal definidos e em constantes lutas fratricidas.

Sejamos honestos: este é um país pequeno, escasso de recursos naturais (mas não assim tanto como nos querem fazer pensar). Por consequência, as crises financeiras são parte integral da nossa história e, em muitos casos, marcam pontos de viragem no rumo e destino do país. Muitas delas acompanharam a tendência mundial da época mas outras ocorreram por mea culpa de quem nos governou.

Basta pegar num moderno tomo de História de Portugal (de preferência de Oliveira Marques ou, melhor, José Mattoso) e consultar o índice alfabético. E lá estão elas: crises económicas: pgs. 100, 102, 104, 119, 251, 254, 257, 297, 352, 355, 393, 408, 448, 463, 465, 495, 600, 643, 659, 692.

Umas mais graves do que as outras, é verdade, mas à exceção de talvez da empreitada de Alcácer-Quibir, em que acabamos por perder um rei e a soberania por mais de meio século, quase nenhum destes capítulos entrou para os anais da história com o pendor tragicómico em que a atual vai ser descrita, com toda a certeza.

D. Sebastião de Portugal. Desaparece na batalha de Alcácer-Quibir em 1578  e coroa portuguesa  passa para a dinastia dos Filipes de Espanha durante 60 anos.

E porquê tanta a certeza? A cerimónia oficial do dia 5 de outubro, a ultima vez em que observar  o aniversário da implantação da República é motivo para um feriado, não podia ter ocorrido da pior maneira. Não bastasse já o facto de ter ocorrido à porta fechada, longe do povo, foi palco de um dos mais tristes dias que esta nação tem memória.

Atónitos, assistimos em direto nas televisões nacionais, depois pela internet, a um Presidente da República içar o símbolo da nação de pernas ao ar. Gaffe com certeza, pensaram alguns. Outros, esperançados (confesso que fui um deles), acharam que houve ali mão dissidente.

Há contudo uma imagem que perdurará: aquela em que, no final da cerimónia, o atual presidente da República, Cavaco Silva, olha através do vidro traseiro do seu veículo para a varanda onde flutuava, ao sabor de uma ligeira brisa, a "endireitada" bandeira portuguesa.

Consciente, com toda a certeza,  de que um novo capítulo da História de Portugal tinha acabado de ser escrito e que, como figura de Estado, o seu papel como protagonista acabava de ser redefinido. Pelas piores razões.



terça-feira, 5 de junho de 2012

Pum, pum, pum e pum: uma história de bombos e tradição em Amarante


No concelho de Amarante há doze grupos de bombos tradicionais popularmente conhecidos como Zés-Pereiras. Um deles, integralmente feminino, cumpre com dedicação e grande esforço o legado musical enraizado desde a Idade Média na cultura popular portuguesa. É um fenómeno cultural pouco estudado mas muito apreciado por um povo que não larga mão da tradição.

Aquela moça alta olha para o velho relógio da torre do mosteiro de S. Gonçalo e rola os olhos para trás em desespero. Ainda falta uma hora para o fim e com num gesto que exala determinação, dá dois passos em frente, olhos nos olhos das suas companheiras. Pendurado ao seu peito está um enorme bombo tradicional onde começa a malhar, rápida e furiosamente.

O resto do grupo, vinte mulheres ao todo, segue-lhe o exemplo.

Maratona de três horas põe à prova a estamina física e mental
É a algazarra total no centro da cidade de Amarante no primeiro fim de semana de junho. São duas da manhã na Praça da República mas hoje, na primeira de três noites das festas da cidade, não há garantias de sono tranquilo para os residentes da zona histórica.

Pelo menos por mais umas horas. É que, em cumprimento da antiga tradição de honrar São Gonçalo, padroeiro da cidade, seis grupos de bombos tradicionais entraram em despique pouco depois do fogo-de-artifício da meia-noite. E nenhum deles está disposto a ser o primeiro a desistir. Há honra e orgulho a salvaguardar mas também já há quem desmaie de cansaço.

Entre as Rosas de Santa Maria, o primeiro grupo de bombos amarantino constituído integralmente por mulheres, ninguém cai para o lado ou desiste. Num canto da praça em frente ao Mosteiro de S. Gonçalo,  tocam de uma forma mais suave do que os seus competidores masculinos. A estratégia resulta, pois às três da manhã estão todas presentes quando vários homens já tinham saído de cena. Um, pelo menos, de ambulância.

No centro do círculo das vinte Rosas está a estudante universitária Eugénia Magalhães, de 22 anos, tocadora de caixa e uma das fundadoras do grupo. É a terceira na linha de gerações de tocadores de bombos da freguesia de Jazente onde, há cerca de 60 anos, o avô Abel fundou o primeiro grupo de Zés-Pereiras de Amarante.

Eugénia Magalhães e as Rosas de St. Maria
“Desde muito pequena que ando nos bombos, são as minhas férias de verão. Nasci no meio disto  tudo”, explica a jovem licenciada em Solicitadoria. “Mesmo em bebé, eu acompanhava a família nas deslocações por todo o país. Aliás, foi em Peniche que deixei de gatinhar e dei os meus primeiros passos durante uma atuação nas festas daquela cidade”.

Juntamente com a mãe, Maria de Fátima, fundou há cerca de dois anos o grupo onde tocam mulheres com idades entre os 10 e os 45 anos. “Era uma ideia antiga, a de formar um grupo de bombos só com mulheres, que foi sendo adiada ao longo dos anos. Mas em 2010 eu disse que tinha que ser naquele ano e que iríamos começar nas festas do junho, em Amarante”, conta.


E porquê uma formação só de mulheres? “O grupo surgiu com naturalidade porque somos uma freguesia onde há uma forte tradição de tocadores de bombos. As crianças, incluindo raparigas, aprendem desde  novas com os pais, muitos deles pertencentes a um dos vários grupos que temos em Jazente”, explica.
A prata da casa

Apesar de existirem registos com mais de cem anos sobre a presença de grupos de Zés-Pereiras nas festas a São Gonçalo só em 1949 é que surge o primeiro conjunto local pela mão de Abel Ribeiro, avô de Eugénia.

A partir daí, o número de grupos de bombos, uma das tradições musicais populares mais antigas a norte do rio Mondego, aumentou ao longo dos anos em Amarante. Hoje, só naquela pequena freguesia aninhada entre a serra da Aboboreira e o rio Ovelha, há três.

Em todo o concelho existem doze grupos que todos os anos percorrem Portugal de lés-a-lés em nome da música popular portuguesa. E quase todos traçam as suas origens ao primeiro formado por Abel Ribeiro.

Bombos "Amigos da Borga", Lufrei
“De uma forma ou outra, praticamente todos os mestres que vão tocar hoje nas festas do junho começaram as suas carreiras connosco, em Jazente”, explica Eugénia Magalhães.

Tradição medieval

Embora a tradição de tocadores de bombos em festas e romarias se perca na memória e nos poucos registos escritos sobre o tema, o certo é que os Zés Pereiras e os seus ruidosos bombos são parte integral de qualquer celebração religiosa ou civil.

A sua origem (também conhecidos como Zambumbos) tem sido pouco estudada mas há referências que aparecem, pontualmente, em trabalhos sobre a música popular portuguesa.

Zés-Pereiras de S. Torcato, Guimarães, em festa religiosa no séc. XIX - DR

Acredita-se, por exemplo, que a génese dos atuais grupos de bombos está ligada ao fenómeno das “bandas-de-pífaro” do século XIX, formação musical muito popular na Europa na época e cujo repertório inicial estava ligado, essencialmente, ao das bandas militares.

Contudo, há indícios de que a história deste tipo de expressão musical popular pode ir mais atrás, até à Idade Média.

“Há, sem dúvida, uma ligação entre os atuais Zés-Pereiras, as charangas medievais e o conceito de música alta que em Portugal sobreviveu às alterações dos gostos musicais do resto da Europa”, explica António Patrício, autor e historiador da região do Baixo Tâmega.

O estilo, em que grupos de charameleiros tocavam instrumentos rudimentares (trompetas, tambores, sacabuxas, charamelas e flautas) ganhou a designação pela sua alta sonoridade, uma característica ideal para os grandes e pequenos eventos ao ar livre.

Considerados primitivos e de mais fácil execução, os instrumentos, e os sons que produziam, eram tidos como o oposto da música baixa, um estilo mais suave e de fraca amplitude sonora considerado mais elegante, próprio de gente fina e com bom gosto.

“A música alta era, e ainda é, o estilo musical do povo porque os instrumentos são fabricados de materiais que estão à mão. Peles e madeira, essencialmente. São fáceis de aprender e de utilizar e, portanto, sobreviveram até aos dias de hoje”, explica o autor amarantino.

E o futuro?

Neste verão, e tal como tem acontecido nos últimos 60 anos, não há descanso para os Zambumbos de Amarante. O de Jazente, com cerca de 50 elementos, tem todos os fins-de-semana ocupados até setembro.

“Vamos a Peniche, a Viana, Bilhó (Vila Real), Alentejo, Algarve e, no passado, já fomos chamados a França, Brasil e Espanha”, diz Eugénia Magalhães. “Aliás notamos que temos mais atuações este ano”, sublinha.

E afasta qualquer dúvida sobre a falta de participação dos jovens nos grupos de bombos da região: “A tradição é muito forte e sempre houve uma atração pela atividade por parte dos mais jovens. Posso dizer que, pelo menos da minha parte, e mesmo que me tenha licenciado, que nunca irei desistir dos bombos. Esta é a minha vida”.

domingo, 20 de maio de 2012

ADAmarante domina slalom de canoagem no Tâmega


Os atletas de canoagem da Associação Desportiva de Amarante dominaram a competição de slalom que se realizou naquela cidade do Baixo Tâmega neste fim de semana, numa prova organizada pela Federação Portuguesa de Canoagem e o Aventura Marão Clube.

Cristiano Duarte e José Carvalho rumo ao primeiro lugar em C1 Masculino-Sénior
- foto Paulo Alexandre Teixeira


No total, os canoístas da  ADAmarante arrecadaram 209 pontos coletivos, seguidos de perto pelo Aventura Marão Clube que, para além dos 203 pontos totais, ainda colocou três dos seus atletas no pódio da categoria K1 Masculino-Infantis.

A  ADAmarante alcançou vários primeiros e segundos lugares nesta competição, com destaque para a categoria C2 Masculino-Sénior onde a duplas Cristinano Duarte/José Carvalho e Rui Ferreira/ Hélder Ferreira subiram ao primeiro e segundo lugares do pódio, respetivamente.

Na competição feminina coube aos visitantes do Clube Náutico de Fafe (CNFafe) o domínio em várias categorias, nomeadamente Marta Noval (C1 Feminino-Sénior) e Vânia Fernandes (K1 Feminino-Júnior).

Marta Noval, do CNFafe arrecadou primeiro lugar em C1 Feminino - Sénior
- foto Paulo Alexandre Teixeira


Contudo, a última palavra nesta categoria coube às equipas da casa em K1 Feminino-Sénior que ocuparam os três lugares do pódio: Sara Bastos, da ADAmarante, em primeiro, seguida por Ana Gomes (segundo) e Carolina Gomes (terceiro), ambas do Aventura Marão Clube.

Esta prova, a contar para a Taça Nacional de Slalom, ocorreu com dois meses de atraso devido à seca que, em Março deste ano, contribuiu para um nível de água no rio Tâmega abaixo do mínimo necessário para se realizar a competição.

ADAmarante conquista o primeiro lugar em equipas
- foto Paulo Alexandre Teixeira


Ainda de notar a ausência do Águas Bravas Clube, uma  outra organização amarantina de canoagem e  atual titular da Taça de Portugal que, por motivos de compromissos internacionais inadiáveis, não se fez representar nesta competição.

Portugal garante presença nos Jogos Olímpicos de Londres

A canoagem nacional brilhou esta semana na I Taça do Mundo de Velocidade que acabou hoje e donde saíram vários atletas portugueses medalhados.

A dupla Fernando Pimenta e Emanuel Silva, em K2 1000 metros, alcançaram a medalha de Ouro na prova de qualificação Europeia para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, o que lhes garantiu de imediato a presença naquela competição.

Adicionalmente, Portugal alcançou duas Medalhas de Bronze, em K2 1000 metros Masculino, mais uma vez com a dupla Fernando Pimenta e Emanuel Silva e com o K4 500 metros Feminino de Helena Rodrigues, Teresa Portela, Joana Vasconcelos e Beatriz Gomes.



Nesta competição estiveram ainda em prova mais 7 embarcações Portuguesas, das quais se destaca Teresa Portela que conquistou a presença na Final A de K1 200 metros, tendo terminado a prova no 9º lugar.

Uma referência ainda para Emanuel Silva que foi 4º na prova dos 5000 metros já esta tarde.

Portugal termina assim a presença nesta primeira competição oficial de 2012, regressando amanhã, 21 de Maio a Portugal, onde irá continuar a sua preparação para Londres 2012 e também para o Campeonato da Europa de Séniores a realizar no mês de Junho na Croácia.

Paulo Alexandre Teixeira c/ FPC




terça-feira, 15 de maio de 2012

Canonical disponibiliza Linux Ubuntu 12.04


A empresa sul-africana Canonical lançou a mais recente atualização da sua distribuição do sistema operativo Linux, denominada oficialmente “Ubuntu 12.04 LTS Precise Pangolin”, numa altura em que o mercado dos sistemas operativos se agita com o lançamento iminente do Windows 8.



A nova versão apresenta uma interface mais refinada do gestor de tarefas Unity, uma novidade introduzida na distribuição anterior do Ubuntu (11.04) que foi recebida com várias críticas quanto à sua funcionalidade.

“ O Unity foi bastante refinado desde então e tem sido bem avaliado tanto pelos novos utilizadores como pelos mais avançados”, disse, em comunicado de imprensa, o vice-presidente de comunicações da Canonical, Steve George.

O lançamento da nova distribuição Ubuntu acontece numa altura em que o mercado de sistemas operativos se agita com a disponibilização de versões "beta" do Windows 8 pela Microsoft.

Oferecida de forma gratuita, podendo ser descarregado no site da empresa, o Ubuntu 12.04 aponta claramente a um leque alargado de utilizadores e em particular ao segmento profissional e empresarial com uma oferta de apoio online e atualizações gratuitas durante os próximos cinco anos.

Adicionalmente, o novo sistema operativo inclui a suite Libreoffice, uma coleção de ferramentas equivalentes e compatíveis com o Microsoft Office, código mais robusto que permite tempos de início de sessão mais rápidos e maior autonomia de bateria, uma funcionalidade pensada claramente para o segmento dos notebooks.



Outra novidade que atrai ainda as atenções de observadores da indústria é a inclusão nesta distribuição de dois jogos da empresa EA Games-Electronic Arts, uma das maiores casas de software deste género o que, para muitos, é considerado com o sinal que o sistema operativo Linux está finalmente preparado para explorar este nicho do mercado.

Taxa de suicídio acima das duas ocorrências por dia


A média de suicídios em Portugal já ultrapassa os dois por dia e há uma tendência para continuar a aumentar, avisou em Amarante o médico forense José Eduardo Pinto da Costa.

Numa palestra que, a convite da Camara Municipal, proferiu naquela cidade, o médico e professor universitário alertou para um dos perigos que os idosos portugueses enfrentam na sociedade moderna.



“Há (entre os médicos) uma preocupação que a taxa continue a aumentar, fomentada, em parte, pela atual crise financeira”, disse Pinto da Costa.

Desde 2008 que vários setores da medicina em Portugal alertam para o aumento das taxas de mortes devidas ao suicídio que, a partir de 2009, ultrapassaram as duas por dia.

Apesar duma dificuldade em manter dados atualizados neste campo (os últimos números do Instituto Nacional de Estatística datam de 2010), vários membros da comunidade científica e médica portuguesas têm alertado para uma subida, pequena mas gradual, do número de suicídios em Portugal.

O tema suicídio fez parte de uma apresentação elaborada sobre a condição da terceira idade em Portugal que esgotou a lotação sentada do auditório da Biblioteca Albano Sardoeira.

É preciso falar mais sobre a eutanásia em Portugal

De forma exaustiva mas muito compreensiva, o médico forense e professor universitário abordou, ao seu estilo único, tópicos diversos como o sexo na terceira idade, a saúde mental dos idosos e ainda ofereceu conselhos em como manter uma vida saudável.

José Pinto da Costa reservou para o final da sua intervenção o tema mais controverso da eutanásia, uma atividade de suicídio assistido que é considerado um crime em Portugal e em muitos países da Europa.

Apesar de defender que a discussão à volta desta prática tem que ser feita, o médico natural de Cedofeita, no Porto, fez questão de sublinhar que é pessoalmente contra a eutanásia.

“Sei que é uma posição ambígua mas, moralmente, sou contra a eutanásia. Contudo, há muitos fatores e variáveis neste tema. Mas como médico, posso compreender porque é necessário abordar este tema e fazer alterações à legislação”, explicou.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Amarante: Turismo como fator de desenvolvimento da região


O concelho de Amarante vai ser um dos primeiros destinos turísticos presentes na loja interativa da Turismo Porto e Norte a inaugurar no mês de Maio, no aeroporto Sá Carneiro, anunciou o presidente daquela entidade regional de Turismo, Melchior Moreira.

O anúncio foi feito em Amarante, no passado dia 5, na Casa das Artes daquela cidade, no âmbito de uma conferência dedicada ao contributo do turismo para o concelho e para a região.

"Há que passar das palavras aos atos" - Melchior Moreira (esq.)
foto: Paulo Alexandre Teixeira

Durante a sua intervenção, Melchior Moreira explicou que o turismo está neste momento posicionado para ser um dos fatores de desenvolvimento das economias locais e regionais, que se debatem com os menores índices de crescimento de que há memória.

“Mas há que passar das palavras aos atos. O termo “turismo” tem sido maltratado pelos políticos nacionais: está patente nos discursos mas é preciso passar aos atos”, alertou.

O presidente da Turismo e Norte sublinhou ainda que é essencial financiar projetos na área, promover nos mercados estrangeiros e explicou que o turismo deve ser encarado como um negócio onde a participação da iniciativa privada devia ser incentivada.

“É preciso lembrar que o turista moderno não vai à procura de um destino mas sim de um produto estratégico. Esta tem sido uma das apostas que a Turismo e Norte tem vindo a fazer ao longo dos anos e que pretende alargar a todos os distritos do norte de Portugal”, concluiu Melchior Moreira.

Rota do Românico: o produto estratégico da região

Na segunda intervenção da conferência, a diretora do programa da Rota do Românico dos vales do Sousa e Tâmega disse que o seu projeto pode ajudar a economia deste núcleo territorial, onde se regista a terceira maior concentração de população a nível nacional.

"Amarante tem recursos e um sentido de estar" - Rosário Correia Machado
foto: Paulo Alexandre Teixeira


“Como um produto estratégico, a Rota pode ajudar no combate à crise”, afirmou ainda  Rosário Correia Machado, durante a apresentação deste projeto que abarca dezenas de concelhos da região.

Iniciada há catorze anos na zona do Vale do Sousa, a Rota do Românico expandiu recentemente a sua atividade para o vale do Tâmega, onde tem procedido à recuperação de património para integrar num projeto que tem tido uma grande adesão por parte das autarquias locais.

“Em particular, Amarante tem recursos e um sentido de estar nesta questão”, elogiou a diretora do programa, sublinhando ainda que os efeitos do esforço e trabalho de catorze anos já se sentem:

“A Rota está a crescer. No primeiro trimestre deste ano tivemos um aumento de visitas em cerca de 70 por cento, comparado com o ano passado. Em particular, o mês de Março de 2012 foi, sem dúvidas, o mais movimentado de sempre desde a abertura da rota ao público”, concluiu.

As Conferências de Amarante

O ciclo de conferências sobre Amarante foi lançado em 2010 pelo Fórum Amarante XXI, um grupo de pessoas de diversas ideologias com o propósito de servir como um elo de ligação entre os amarantinos, dando visibilidade às suas realidades e preocupações.

O projeto tem abordado uma leque de temas diversificado como a política, cidadania, o desenvolvimento sustentável e o papel das redes sociais e das organizações informais, entre outros.

Até ao final deste ano prevê-se a realização de mais duas conferências, a ultima das quais encerrará o ciclo, em meados do Outono.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dia Mundial da Imprensa na UTAD


Em Portugal não existe um problema de falta liberdade de imprensa em si mas há um conjunto de fatores económicos que afetam a capacidade dos órgãos de comunicação social em realizar o seu trabalho, tanto a nível regional como nacional.

Esta foi uma das conclusões sobre o tema da liberdade de imprensa a nível nacional e local, que esteve em discussão ontem na Universidade de Trás-os-Montes e Vila Real, durante um debate realizado no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa organizado pelo Departamento de Letras, Arte e Cultura daquele estabelecimento de ensino superior.

Debate juntou jornalistas locais e nacionais na UTAD.
imagem: Ana Fernandes


“A liberdade de imprensa está também ligada à capacidade, ou falta dela, dos órgãos de comunicação social, nomeadamente a nível regional, em manterem jornalistas nas suas redações”, explicou o radialista Paulo Vilela.

Durante a sua intervenção, o jornalista da radio M80 adiantou que há muito trabalho jornalístico que fica a meio e que acaba por não ser publicado porque há falta de condições para verificar toda a informação que chega diariamente aos jornais, rádios e televisões locais.

Rui Sá, jornalista da RTP, alertou que o mesmo problema afeta as representações de órgãos de comunicação social nacionais em regiões do interior, onde o “tamanho mínimo das redações não dá, muitas vezes, condições para refletir sobre o trabalho que fazemos”.

No debate, que se realizou na sessão da manhã, estiveram ainda presentes o repórter de imagem da SIC, Miguel Costa, José Paulo Santos (TVI), Luís Mendonça (Universidade FM), Manuela Carneiro (SIC), o consultor de comunicação João Oliveira e Madeira Pinto, em representação da Câmara Municipal de Vila Real.

A jornalista da SIC apontou, por seu lado, as práticas "pouco éticas" de alguns jornalistas que afetam o trabalho doutros, que acabam por encontrar dificuldades, resistência e por vezes ameaças.

“Os jornalistas são muitas vezes vistos como o bicho-papão”, explicou Manuela Carneiro, que sublinhou ser importante ter “uma dose de bom senso” quando se realizam trabalhos jornalísticos sobre matérias mais sensíveis.

“O jornalista tem poder e o trabalho que faz pode, muitas vezes, destruir uma vida. O nosso trabalho não é prejudicar a vida dos outros”, concluiu.

Após uma pausa para almoço, o Dia da Liberdade de Imprensa foi ainda assinalado com o visionamento da curta-metragem O Carteiro, da realizadora Cláudia Alves, uma entrevista online ao jornalista Nuno Andrade Ferreira, da Radio Morabeza (Cabo Verde) e o lançamento de dezenas de balões em homenagem simbólica aos 62 profissionais de jornalismo mortos em 2011.