e-Zine fotográfica de Paulo Alexandre Teixeira, número um (2009)
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012
terça-feira, 5 de junho de 2012
Pum, pum, pum e pum: uma história de bombos e tradição em Amarante
No concelho de
Amarante há doze grupos de bombos tradicionais popularmente conhecidos como
Zés-Pereiras. Um deles, integralmente feminino, cumpre com dedicação e grande
esforço o legado musical enraizado desde a Idade Média na
cultura popular portuguesa. É um fenómeno cultural pouco estudado mas muito apreciado por um povo que
não larga mão da tradição.
Aquela moça alta
olha para o velho relógio da torre do mosteiro de S. Gonçalo e rola os olhos
para trás em desespero. Ainda falta uma hora para o fim
e com num gesto que exala determinação, dá dois passos em frente, olhos nos
olhos das suas companheiras. Pendurado ao seu peito está um enorme bombo
tradicional onde começa a malhar, rápida e furiosamente.
O resto do grupo, vinte mulheres ao todo, segue-lhe o exemplo.
O resto do grupo, vinte mulheres ao todo, segue-lhe o exemplo.
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| Maratona de três horas põe à prova a estamina física e mental |
Pelo menos por mais umas horas. É que, em cumprimento da antiga tradição de honrar São Gonçalo, padroeiro da cidade, seis grupos de bombos tradicionais entraram em despique pouco depois do fogo-de-artifício da meia-noite. E nenhum deles está disposto a ser o primeiro a desistir. Há honra e orgulho a salvaguardar mas também já há quem desmaie de cansaço.
Entre as Rosas de Santa Maria, o primeiro grupo de bombos amarantino constituído integralmente
por mulheres, ninguém cai para o lado ou desiste. Num canto da praça em
frente ao Mosteiro de S. Gonçalo, tocam de uma forma mais suave do que os
seus competidores masculinos. A estratégia resulta, pois às três da manhã estão
todas presentes quando vários homens já tinham saído de cena. Um, pelo menos, de ambulância.
No centro do
círculo das vinte Rosas está a estudante universitária Eugénia Magalhães, de 22
anos, tocadora de caixa e uma das fundadoras do grupo. É a terceira na linha de
gerações de tocadores de bombos da freguesia de Jazente onde, há cerca de 60
anos, o avô Abel fundou o primeiro grupo de Zés-Pereiras de Amarante.
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| Eugénia Magalhães e as Rosas de St. Maria |
“Desde muito pequena que ando nos bombos, são as minhas férias de verão. Nasci no meio disto tudo”, explica a jovem licenciada em Solicitadoria. “Mesmo em bebé, eu acompanhava a família nas deslocações por todo o país. Aliás, foi em Peniche que deixei de gatinhar e dei os meus primeiros passos durante uma atuação nas festas daquela cidade”.
Juntamente com a mãe, Maria de Fátima, fundou há cerca de dois anos o grupo onde tocam mulheres com idades entre os 10 e os 45 anos. “Era uma ideia antiga, a de formar um grupo de bombos só com mulheres, que foi sendo adiada ao longo dos anos. Mas em 2010 eu disse que tinha que ser naquele ano e que iríamos começar nas festas do junho, em Amarante”, conta.
Juntamente com a mãe, Maria de Fátima, fundou há cerca de dois anos o grupo onde tocam mulheres com idades entre os 10 e os 45 anos. “Era uma ideia antiga, a de formar um grupo de bombos só com mulheres, que foi sendo adiada ao longo dos anos. Mas em 2010 eu disse que tinha que ser naquele ano e que iríamos começar nas festas do junho, em Amarante”, conta.
E porquê uma formação só de mulheres? “O grupo surgiu com naturalidade porque somos uma freguesia onde há uma forte tradição de tocadores de bombos. As crianças, incluindo raparigas, aprendem desde novas com os pais, muitos deles pertencentes a um dos vários grupos que temos em Jazente”, explica.
A prata da casa
Apesar de existirem
registos com mais de cem anos sobre a presença de grupos de Zés-Pereiras nas
festas a São Gonçalo só em 1949 é que surge o primeiro conjunto local pela mão de Abel Ribeiro, avô de Eugénia.
A partir daí, o
número de grupos de bombos, uma das tradições musicais populares mais antigas a
norte do rio Mondego, aumentou ao longo dos anos em Amarante. Hoje, só naquela
pequena freguesia aninhada entre a serra da Aboboreira e o rio Ovelha, há três.
Em todo o concelho
existem doze grupos que todos os anos percorrem Portugal de lés-a-lés em nome
da música popular portuguesa. E quase todos traçam as suas origens ao primeiro
formado por Abel Ribeiro.
“De uma forma ou
outra, praticamente todos os mestres que vão tocar hoje nas festas do junho
começaram as suas carreiras connosco, em Jazente”, explica Eugénia Magalhães.
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| Bombos "Amigos da Borga", Lufrei |
Tradição medieval
Embora a tradição
de tocadores de bombos em festas e romarias se perca na memória e nos poucos
registos escritos sobre o tema, o certo é que os Zés Pereiras e os seus
ruidosos bombos são parte integral de qualquer celebração religiosa ou civil.
A sua origem (também conhecidos como Zambumbos) tem sido pouco estudada mas há referências
que aparecem, pontualmente, em trabalhos sobre a música popular portuguesa.
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| Zés-Pereiras de S. Torcato, Guimarães, em festa religiosa no séc. XIX - DR |
Acredita-se, por
exemplo, que a génese dos atuais grupos de bombos está ligada ao fenómeno das
“bandas-de-pífaro” do século XIX, formação musical muito popular na Europa na
época e cujo repertório inicial estava ligado, essencialmente, ao das bandas
militares.
Contudo, há
indícios de que a história deste tipo de expressão musical popular pode ir mais
atrás, até à Idade Média.
“Há, sem dúvida,
uma ligação entre os atuais Zés-Pereiras, as charangas medievais e o conceito
de música alta que em Portugal sobreviveu às alterações dos gostos musicais do
resto da Europa”, explica António Patrício, autor e historiador da região do Baixo Tâmega.
O estilo, em que
grupos de charameleiros tocavam instrumentos rudimentares (trompetas, tambores,
sacabuxas, charamelas e flautas) ganhou a designação pela sua alta sonoridade,
uma característica ideal para os grandes e pequenos eventos ao ar livre.
Considerados
primitivos e de mais fácil execução, os instrumentos, e os sons que produziam,
eram tidos como o oposto da música baixa, um estilo mais suave e de fraca
amplitude sonora considerado mais elegante, próprio de gente fina e com bom
gosto.
“A música alta era,
e ainda é, o estilo musical do povo porque os instrumentos são fabricados de
materiais que estão à mão. Peles e madeira, essencialmente. São fáceis de
aprender e de utilizar e, portanto, sobreviveram até aos dias de hoje”, explica
o autor amarantino.
E o futuro?
Neste verão, e tal
como tem acontecido nos últimos 60 anos, não há descanso para os Zambumbos de Amarante. O de Jazente, com cerca de 50 elementos, tem todos os
fins-de-semana ocupados até setembro.
“Vamos a Peniche, a
Viana, Bilhó (Vila Real), Alentejo, Algarve e, no passado, já fomos chamados a
França, Brasil e Espanha”, diz Eugénia Magalhães. “Aliás notamos que temos mais
atuações este ano”, sublinha.
E afasta qualquer
dúvida sobre a falta de participação dos jovens nos grupos de bombos da região: “A
tradição é muito forte e sempre houve uma atração pela atividade por parte dos
mais jovens. Posso dizer que, pelo menos da minha parte, e mesmo que me tenha
licenciado, que nunca irei desistir dos bombos. Esta é a minha vida”.
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domingo, 20 de maio de 2012
ADAmarante domina slalom de canoagem no Tâmega
Os atletas de canoagem da Associação Desportiva de Amarante
dominaram a competição de slalom que se realizou naquela cidade do Baixo Tâmega
neste fim de semana, numa prova organizada pela Federação Portuguesa de Canoagem e o Aventura Marão Clube.
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| Cristiano Duarte e José Carvalho rumo ao primeiro lugar em C1 Masculino-Sénior - foto Paulo Alexandre Teixeira |
No total, os canoístas da
ADAmarante arrecadaram 209 pontos
coletivos, seguidos de perto pelo Aventura Marão Clube que, para além dos 203 pontos totais, ainda colocou três dos seus atletas no pódio
da categoria K1 Masculino-Infantis.
A ADAmarante alcançou vários primeiros e segundos lugares
nesta competição, com destaque para a categoria C2 Masculino-Sénior onde a
duplas Cristinano Duarte/José Carvalho e Rui Ferreira/ Hélder Ferreira subiram
ao primeiro e segundo lugares do pódio, respetivamente.
Na competição feminina coube aos visitantes do Clube Náutico de Fafe (CNFafe) o domínio em várias categorias, nomeadamente Marta Noval (C1
Feminino-Sénior) e Vânia Fernandes (K1 Feminino-Júnior).
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| Marta Noval, do CNFafe arrecadou primeiro lugar em C1 Feminino - Sénior - foto Paulo Alexandre Teixeira |
Contudo, a última palavra nesta categoria coube às equipas
da casa em K1 Feminino-Sénior que ocuparam os três lugares do pódio: Sara
Bastos, da ADAmarante, em primeiro, seguida por Ana Gomes (segundo) e Carolina
Gomes (terceiro), ambas do Aventura Marão Clube.
Esta prova, a contar para a Taça Nacional de Slalom, ocorreu com dois meses de atraso devido à seca que, em Março deste
ano, contribuiu para um nível de água no rio Tâmega abaixo do mínimo necessário para se realizar a competição.
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| ADAmarante conquista o primeiro lugar em equipas - foto Paulo Alexandre Teixeira |
Ainda de notar a ausência do Águas Bravas Clube, uma outra organização amarantina de canoagem e atual
titular da Taça de Portugal que, por motivos de compromissos internacionais
inadiáveis, não se fez representar nesta competição.
Portugal garante presença nos Jogos Olímpicos de Londres
A canoagem nacional brilhou esta semana na I Taça do Mundo
de Velocidade que acabou hoje e donde saíram vários atletas portugueses medalhados.
A dupla Fernando Pimenta e Emanuel Silva, em K2 1000 metros,
alcançaram a medalha de Ouro na prova de qualificação Europeia para os Jogos Olímpicos
de Londres 2012, o que lhes garantiu de imediato a presença naquela competição.
Adicionalmente, Portugal alcançou duas Medalhas de Bronze,
em K2 1000 metros Masculino, mais uma vez com a dupla Fernando Pimenta e
Emanuel Silva e com o K4 500 metros Feminino de Helena Rodrigues, Teresa
Portela, Joana Vasconcelos e Beatriz Gomes.
Nesta competição estiveram ainda em prova mais 7 embarcações
Portuguesas, das quais se destaca Teresa Portela que conquistou a presença na
Final A de K1 200 metros, tendo terminado a prova no 9º lugar.
Uma referência ainda para Emanuel Silva que foi 4º na prova
dos 5000 metros já esta tarde.
Portugal termina assim a presença nesta primeira competição
oficial de 2012, regressando amanhã, 21 de Maio a Portugal, onde irá continuar
a sua preparação para Londres 2012 e também para o Campeonato da Europa de
Séniores a realizar no mês de Junho na Croácia.
Paulo Alexandre Teixeira c/ FPC
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
Fotoreportagem: Credo
Na noite de sexta-feira santa, primeiro dia das celebrações da Páscoa cristã, a cidade de Amarante desliga a sua iluminação pública para dar passagem à Procissão Esse Homo, vulgarmente conhecida como a "Procissão das Trévolas".
Durante várias horas, centenas de crentes e dignitários locais acompanham por várias paróquias da cidade a viagem de um caixão de vidro contendo uma efígie de Cristo falecido, visível graças a um engenhoso sistema de iluminação interior.
Apesar da escuridão em que a cidade mergulha, o evento ganha vida pelo súbito estrépito das trévolas e pela presença de centenas de velas e candeeiros a óleo que, ao passo de composições musicais solenes da Banda Musical de Amarante, desfilam ao lado do caixão de Cristo.
(nota: selecione o símbolo com quatro setas apontadas em direções diagonais, no canto inferior direito, para ver o slideshow em tamanho real).
Durante várias horas, centenas de crentes e dignitários locais acompanham por várias paróquias da cidade a viagem de um caixão de vidro contendo uma efígie de Cristo falecido, visível graças a um engenhoso sistema de iluminação interior.
Apesar da escuridão em que a cidade mergulha, o evento ganha vida pelo súbito estrépito das trévolas e pela presença de centenas de velas e candeeiros a óleo que, ao passo de composições musicais solenes da Banda Musical de Amarante, desfilam ao lado do caixão de Cristo.
(nota: selecione o símbolo com quatro setas apontadas em direções diagonais, no canto inferior direito, para ver o slideshow em tamanho real).
- Paulo Alexandre Teixeira







